1. SEES 14.11.12

1. VEJA.COM
2. CARTA AO LEITOR  DEMOCRACIA NA AMRICA
3. ENTREVISTA  NORMAL GALL  O PR-SAL VAI ATRASAR MUITO
4. CLAUDIO DE MOURA CASTRO  REITORES MANDAM NO ENSINO MDIO
5. MALSON DA NBREGA  A SADA  A INFRAESTRUTURA, MAS...
6. LEITOR
7. BLOGOSFERA
8. EINSTEIN DADE  PACIENTES IDOSOS, CUIDADOS ESPECIAIS

1. VEJA.COM
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

NOS LIMITES DA RAZO
Ao venderem a virgindade para participar de um documentrio, dois jovens  uma brasileira e um russo  despertaram censura e indignao. Sob os olhos de um certo grupo de filsofos, juristas e economistas, no entanto, h razes slidas para tratar como aceitvel a venda da primeira vez. Para eles, tambm seriam defensveis o comrcio de crianas, a poligamia ou a venda de rgos. Eles chegam a essas concluses seguindo at as ltimas consequncias a lgica de seu sistema de pensamento, sem medo de pisar em terreno que muitos julgam proibido. O site de VEJA mostra quem so esses pensadores e quais so suas ideias.

STRESS NO TRABALHO
O trabalho pode matar  e isso no  apenas fora de expresso. O culpado, claro,  o stress. Estudo da Universidade Harvard, feito com mais de 20.000 mulheres e publicado em julho deste ano, revelou que trabalhar em ambientes estressantes e sob muita tenso pode aumentar em 70% o risco de um infarto e em 40% o de eventos cardiovasculares graves. Para especialistas ouvidos pelo site de VEJA, porm, embora muitas vezes no seja possvel fugir desse cenrio, h formas de amenizar os impactos sobre a sade.

SUPERLOTAO NAS 9
Com 84 personagens distribudos por oito ncleos, Salve Jorge  a novela mais populosa dos ltimos doze anos no horrio das 9. Isso responde a uma ttica da autora Glria Perez, de testar a aceitao dos personagens pelo pblico e com isso moldar a histria, mas tambm causa uma disperso que compromete o seu desempenho no ibope. Com ndices de audincia que chegam a 26 pontos na Grande So Paulo, a novela preocupa a Globo e mostra que o texto gil de Avenida Brasil, que tinha apenas 51 personagens, deixou saudade.

OS MELHORES GAMES EM VEJA
Aficionados de games ganham seu espao em VEJA.com. Estreia neste fim de semana Top Games, rea dedicada ao universo dos jogos eletrnicos que rene reportagens sobre tendncias, entrevistas com produtores, resenhas de lanamentos, seleo de games para computadores, consoles, internet, smartphones e tablets, alm de vdeos e galerias de imagens dos principais ttulos do mercado. Para marcar a chegada da rea, VEJA.com transmitir na prxima quarta-feira entrevista ao vivo com Luciano Amaral, apresentador do Mok, programa sobre games do canal PlayTV. Os aficionados podem participar: basta visitar o endereo www.veja.abril.com.br/tema/top-games s 14 horas.


2. CARTA AO LEITOR  DEMOCRACIA NA AMRICA
     Vencida pelo atual ocupante da Casa Branca, o democrata Barack Obama, com boa margem de votos sobre seu oponente, o republicano Mitt Romney, a eleio presidencial americana da semana passada foi, mais uma vez, um espetculo democrtico de amplo significado para o mundo. A comear pelo gigantesco contraste com o obscuro e enigmtico processo sucessrio ora em curso na China, a outra grande potncia global, o colorido, acirrado, complexo mas sempre empolgante sistema eleitoral americano merece uma anlise mais detida pelas lies histricas que embute. Uma reportagem especial desta edio de VEJA, escrita por Andr Petry, correspondente da revista em Nova York, enfatiza esse ponto e lembra que seria tomado por louco algum ousado o bastante para prever h trinta ou talvez at vinte anos que as eleies presidenciais de 2012 seriam disputadas entre um negro e um mrmon.
     A reportagem lembra tambm as enormes barreiras sociais, polticas e jurdicas que tiveram de ser vencidas para que representantes de duas minorias pudessem se enfrentar em uma eleio presidencial. Em 1960, o candidato democrata e catlico John Kennedy pavimentou o caminho para o mrmon e republicano Romney. Disse Kennedy em seu famoso discurso sobre a separao entre Igreja e estado: Acredito em um pas em que as pessoas sejam tratadas da mesma maneira seja qual for sua religio. Quatro anos depois, Lyndon Johnson abriu caminho para Obama fazendo culminar uma dcada de conquistas sociais com o ato que tornava crime todas as formas de discriminao nos Estados Unidos. Escreveu em 1835 o francs Alexis de Tocqueville, autor do famoso ensaio sociolgico e poltico que inspirou o ttulo desta Carta ao Leitor: A grandeza da Amrica no decorre de ela ser mais iluminada do que as demais naes, mas da capacidade que o pas tem de corrigir seus erros.
     Um sistema poltico capaz de corrigir erros precisa ser sensvel s foras reais que atuam sobre a sociedade e os interesses dos indivduos. A reeleio do democrata Obama foi assegurada pelos votos das minorias raciais, os negros e os hispnicos, principalmente, e tambm pelos das mulheres solteiras com diploma superior. O resultado reflete a fora transformadora das presses demogrficas em uma democracia. Obama foi vitorioso por ter sido o candidato cujo discurso e prtica melhor atenderam aos interesses daquelas minorias. Juntas, elas formaram uma maioria grande o bastante para derrotar a maioria branca mais identificada com os valores dos conservadores.
     Essa nova realidade demogrfica significa que os republicanos nunca mais vo ganhar uma eleio majoritria? No, responde a reportagem. As mesmas foras que atuaram agora em favor dos democratas tendem a favorecer os republicanos mais adiante. A prpria histria americana mostra que,  medida que ficam mais ricos e mais velhos, os imigrantes liberais tendem a votar nos conservadores  e, portanto,  ilusrio acreditar em maiorias permanentes. Diz Andr Petry: A fora maior da democracia americana est no dinamismo da sociedade, o que torna quase impossvel  maioria de hoje ser a mesma maioria no futuro.


3. ENTREVISTA  NORMAL GALL  O PR-SAL VAI ATRASAR MUITO
Um dos mais perspicazes analistas da sociedade brasileira diz que  preciso se ver livre do vis estatizante e reformar as instituies para fazer o Brasil subir de patamar.
MALU GASPAR

Vivendo h 35 anos no Brasil, o americano Norman Gall, diretor executivo do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, acabou por se tornar um dos mais perspicazes observadores dos rumos do pas. Nessa condio, produziu recentemente um amplo e detalhado relatrio sobre os desafios do pr-sal, no qual alerta: a explorao das riquezas da nova fronteira petrolfera vai atrasar em pelo menos cinco anos. Pesquisador incansvel e obsessivo (hbito dos tempos em que foi correspondente estrangeiro), Gall, prestes a completar 80 anos, ainda faz questo de viajar para conferir in loco os temas que so objeto de suas pesquisas. De viagem em viagem, identificou no cronograma do pr-sal entraves como falta de mo de obra, estrangulamento financeiro da Petrobras e, acima de tudo, a mesma viso estatizante que empaca os recm-lanados pacotes para ferrovias, energia eltrica e aeroportos. Essa no  uma maneira inteligente de gerir a infraestrutura nacional, afirma, na entrevista concedida a VEJA em seu apartamento, em So Paulo.

Por que o Brasil est crescendo em ritmo to lento quanto o de economias fortemente impactadas pela crise financeira mundial? 
Apesar de no ter sido diretamente atingido pela crise, o Brasil padece de vulnerabilidades que tambm custaram caro aos Estados Unidos e  Espanha nestes anos: incentivo exagerado ao consumo, pouco investimento, produtividade estagnada e um pesado endividamento por parte das famlias, que esto com 25%, 30% de sua renda comprometida com emprstimos. E o governo continua criando formas de incentiv-las a consumir ainda mais, quando deveria, isto sim, promover a poupana e mais investimentos. O risco desse equvoco  a volta da inflao crnica.  verdade que o Brasil j conta com um conjunto de instituies slidas, mas elas tambm no tm ajudado a fomentar o desenvolvimento. No vejo outro caminho seno encarar a dura tarefa de reform-las. S assim poderemos elevar a um novo patamar duas reas cruciais: educao e infraestrutura. Se no avanarmos a, o pas pode perder a capacidade de gerir grandes projetos, daqueles que transformam as feies de uma nao. Isso j est acontecendo.

O senhor poderia dar um exemplo? 
O caso do pr-sal  emblemtico. Os gargalos de mo de obra e as deficincias de infraestrutura esto entre os entraves para que a produo deslanche. O desafio de retirar essa riqueza do fundo do mar  monumental, mas vem sendo tratado com superficialidade, sem um plano mais completo e consequente para alcanar metas to ambiciosas. Nenhum pas triplicou sua produo offshore de 2 milhes de barris dirios para 6 milhes em to pouco tempo e em guas to profundas, como est sendo proposto. Isso no quer dizer que no seja possvel. Os recursos e a tecnologia esto l. Mas, infelizmente, em mais de dois anos de discusses no Congresso Nacional a nica preocupao dos parlamentares foi definir quem vai ficar com o dinheiro. Ningum estudou os reais obstculos a superar. Ignoraram-se questes graves como o fato de a Petrobras ser obrigada a operar 30% de todos os novos campos do pr-sal. Esse , para mim, o principal problema. Nenhuma petroleira no mundo, por mais gil e competente que fosse, teria condies de operar tudo sozinha.

O governo superestimou a capacidade de investimento da Petrobras? 
Houve muita politicagem a. O governo conhecia as limitaes na capacidade de investimento e de execuo da Petrobras. Tanto que fez o malabarismo de injetar dinheiro do Tesouro no BNDES para que o banco o repassasse  estatal sem sobrecarregar as contas pblicas s vsperas da eleio presidencial de 2010. Tudo muito ligeiro e pouco srio, como se fosse corriqueiro desenvolver, do nada, uma fronteira petrolfera dessa grandeza.

A produo brasileira de petrleo vem diminuindo. No era de esperar que ocorresse exatamente o contrrio? 
Sem dvida. H razes bastante objetivas para entender o que est acontecendo, e elas esto relacionadas  maneira como se tem lidado com as questes do petrleo no Brasil. Por problemas de gesto, plataformas paralisaram suas atividades para manuteno justamente quando os poos da Bacia de Campos chegaram  fase madura, com taxas de declnio da produo entre 10% e 20% ao ano. Faltam ainda fornecedores de equipamentos essenciais para atender a um programa to ambicioso como o pr-sal.


Faz sentido privilegiar o contedo nacional, sob algum ponto de vista? 
Em tese, faz. Contar com fornecedores locais poderia at ser um diferencial competitivo, mas desenvolver uma cadeia desse porte e sofisticao leva tempo. E h uma urgncia por sondas e plataformas que o mercado nacional no  capaz de suprir. Em uma atitude incompreensvel, o governo fez a coisa ficar ainda mais difcil, contratando estaleiros virtuais comandados por empreiteiras que nunca fizeram uma sonda sequer. Por causa desse tipo de insensatez, a Petrobras est perdendo a reputao de empresa sria, duramente conquistada.

Segundo seus estudos, em que medida esses obstculos aos quais o senhor se refere tero impacto na explorao do pr-sal? 
Eles j esto atrasando os planos. A previso era que o pr-sal estivesse em plena produo em 2020, mas o horizonte mais realista, dadas as circunstncias atuais,  isso ocorrer por volta de 2025, 2030.

O pacote de medidas que a presidente Dilma Rousseff lanou recentemente para tentar solucionar os problemas de infraestrutura no pode melhorar o cenrio? 
Os pacotes lanados pelo governo para o setor se valem de algo extremamente questionvel: o desrespeito s regras do jogo. O Brasil lutou muito para consolidar no exterior sua imagem de pas que honra contratos. Mas, agora, no h mais segurana de que o que foi acordado continuar a valer em reas como transportes e energia eltrica, em que a presidente mudou tudo de uma hora para outra, rasgando contratos j assinados. At outro dia, o modelo que prevalecia na gesto da infraestrutura nacional era o da concesso. Os empresrios competiam em leiles, assumiam os ativos, investiam e cobravam tarifas que remunerassem a empresa e os acionistas. Isso vai mudar. O governo est impondo novas regras que transformam os empresrios em prestadores de servios mal remunerados.

Quais so as consequncias disso?
Os leiles dos aeroportos so uma mostra. As condies das concorrncias no proporcionaram margens de lucro atraentes o suficiente para empresas com experincia e reputao. O resultado foi o que todos viram: novatos jogaram os preos l embaixo e ganharam o leilo. Algum duvida que, l na frente, vo querer renegociar os valores? A meu ver, essa no  uma forma inteligente de gerir a infra-estrutura nacional.

A lei dos royalties que o Congresso acaba de aprovar so um exemplo de quebra de contrato? 
So. No d para deixar o texto do jeito que est. Assim, os investidores vo acabar fugindo dos leiles de novos campos de petrleo ou passaro a question-los nos tribunais. Isso poderia adiar ainda mais as licitaes, to importantes para o pas.

Vrios empresrios comemoraram o novo modelo de concesso de ferrovias, argumentando que os investimentos se tornaram viveis justamente porque o governo lhes garantiu a demanda pelos servios. O senhor concorda com essa estratgia? 
No. O governo est tomando medidas que exacerbam o controle estatal sem melhorar a gesto e aumentam o risco de fazer negcios no pas.

O senhor acha que faltam quadros de alta qualificao na mquina pblica para gerir projetos de tamanha dimenso e complexidade? 
A questo no  essa. O Brasil no est to pobre de recursos humanos assim. Temos boas cabeas, gente que conhece ao mesmo tempo os meandros da mquina pblica e o mercado, e sabe lidar com o empresariado. O que falta mesmo  adotar critrios econmicos srios que faam sair do papel os grandes projetos.

O Congresso Nacional acaba de aprovar uma lei que determina um gasto pblico equivalente a 10% do PIB com educao. Essa iniciativa pode ajudar a diminuir os gargalos de mo de obra a que o senhor se refere? 
No adianta destinar mais dinheiro s escolas se no h critrios claros sobre como aplic-lo nem fiscalizao efetiva sobre os desvios. Assim como ocorre com o pr-sal, h problemas prioritrios a resolver antes de pensar em aumentar as verbas. Pouco ou nada vai adiantar fazer crescer os recursos da educao sem implementar as mudanas necessrias no sistema ineficaz que temos hoje no Brasil.

O que  prioritrio mudar? 
O ensino pblico precisa de padres curriculares nas faculdades de pedagogia que verdadeiramente preparem o professor para dar uma boa aula. Defendo a ideia de que a formao dos docentes seja avaliada em um exame nacional que permita aperfeio-la. Hoje, no se exigem esforo nem produtividade no ensino pblico. Os professores faltam, no cumprem horrios e passam pouca lio de casa.  comum encontrar, at mesmo entre os alunos mais dedicados, quem conclua o ensino mdio sem nunca ter feito uma redao. Isso ajuda a entender por que o brasileiro escreve to mal. Fala-se em mais verbas para a educao sem antes tratar dos maus gastos feitos com o dinheiro j existente. Se os constantes desvios dos fundos federais destinados ao transporte escolar e  merenda continuarem, o nico efeito desse aumento ser dar mais dinheiro aos corruptos.

O senhor acha que o julgamento do mensalo far com que os corruptos no Brasil passem a ter motivos para temer punio? 
A condenao dos rus pode ser entendida como um avano institucional, mas o Brasil precisa avanar muito ainda em seu sistema judicirio para tornar o combate  corrupo mais eficaz. O Supremo levou sete anos para comear a julgar o caso e j gastou trs meses nesse processo, o que  muito caro para o estado. Alis, o mensalo nem deveria ser um caso para o Supremo. Nos pases avanados, o tribunal superior s trata de questes constitucionais. Do contrrio, ficaria afogado. O sistema judicirio brasileiro administra 83 milhes de causas. O Supremo tem mais de 100.000 processos.  coisa de louco.

Quais so ento as lies deixadas pelo julgamento? 
A grande lio  que  preciso estruturar o estado para que ele se defenda da corrupo, independentemente do partido que esteja no poder. Casos de roubo do dinheiro da merenda escolar, do transporte pblico ou da manuteno das escolas so rotineiros. Fazem parte do metabolismo da poltica no Brasil. Combat-los  responsabilidade do Ministrio Pblico e da Polcia Federal, que nem sempre cumprem sua funo como esperado. Junta-se a essa falha institucional um trao cultural muito forte, na linha do isso no  comigo. Sem fiscalizao nem cobrana, abre-se espao para incentivos a mais desvios do dinheiro pblico, num ciclo vicioso perverso.

De que incentivos o senhor est falando? 
Um pas onde as empreiteiras projetam e propem as obras que devem ser feitas para depois administr-las tem, sem dvida, um problema srio.  por isso que bato na tecla de que reformar as instituies pode torn-las mais fortes e resistentes ao bote dos polticos. No  to difcil assim fazer isso.  preciso construir uma agenda de consenso ouvindo gente de todos os matizes, para chegar a uma lista de providncias bsicas. S quando o Brasil alcanar esse ponto ser possvel romper com a lgica viciada que contamina a poltica brasileira e emperra o crescimento do pas.


4. CLAUDIO DE MOURA CASTRO  REITORES MANDAM NO ENSINO MDIO
     Nosso ensino mdio, aps vrias dcadas de letargia, comea a ser visto como um pantanal de problemas e contradies. Aleluia! Trata-se de um ciclo copiado da Frana do ps-guerra, quando apenas 5% da faixa etria correspondente frequentava uma escola mdia. L, era para o topo da elite. Enquanto o mdio brasileiro permanecia minsculo e atendia, sobretudo, s nfimas elites, mal e mal, os alunos davam conta do currculo enciclopdico. Mas nas ltimas dcadas explodiu a matrcula, o ensino ficou cada vez mais aguado e congestionaram-se os currculos e ementas.  o pior dos mundos: a escola ficou pior, os alunos so rapados do fundo do tacho e o currculo  para gnios. Vejamos as alternativas existentes. antes de inventar mais jabuticabas.
     Copiar a high school americana significa oferecer centenas de disciplinas dentro de uma escola nica, para onde acorrem todos os alunos. Diante desse cardpio, cada aluno constri o seu currculo. A ideia no  economicamente vivel no Brasil e anda na contramo da nossa cultura. A soluo clssica europeia  oferecer escolas de diferentes modelos, de acordo com o perfil e o gosto do aluno. Umas mais voltadas para preparar para o trabalho, outras para a universidade. E mais as solues hbridas. Nossa esquerda engasga e protesta contra o elitismo de criar uma escola de pobres e uma de ricos  apesar de a Europa ser a regio de menor desigualdade econmica e social. Independentemente do que possa vir  frente e com mais ambio, resta uma soluo fcil e amplamente testada. Trata-se de voltar  ideia de um modelo parecido com o que tnhamos no tempo do clssico, cientfico e comrcio.  algo similar ao modelo francs, oferecendo vrios sabores de baccalaurat: humanidades, cincias biolgicas, matemtica, e assim por diante. A Argentina tem algo parecido.
     Isso permite aos alunos estudar mais aquilo de que gostam ou o que querem, alm de aliviar a avalanche curricular do presente.  uma soluo simples, realista e prxima do que j tivemos. No nosso caso, como o Enem tem quatro disciplinas, seria bvio pensar em quatro vertentes. Essa soluo funciona, sem mudanas de currculo ou legislao. Mas ficaria ainda melhor se fosse possvel desvencilhar-se dos currculos excessivos e impositivos. Se isso acontecer, podero aparecer trajetos mais prticos, para quem no se interessa pelo superior e quer um programa em linha com seus planos de trabalho. As matrias do ensino tcnico tambm podem substituir as do mdio regular, fazendo com que tenha a mesma carga horria total. Contudo, os alunos que cursarem uma escola assim diversificada tero uma surpresa desagradvel no vestibular das universidades pblicas, pois estas consideram apenas as mdias das quatro disciplinas testadas no Enem. Quem estudar em uma alternativa com pouca matemtica  ou com pouco portugus  ser severamente punido no processo de seleo. O vestibular presente estraalha os sonhos de diversificao do mdio  tal como existe em todos os pases avanados.
     No  de hoje que os vestibulares das universidades pblicas determinam o funcionamento das escolas de nvel mdio. De fato, essa proposta simples e exequvel torna-se letra morta diante dos vestibulares que ponderam igualmente as mdias das quatro disciplinas. Faz parte da soluo ter vestibulares dando mais peso s disciplinas correspondentes  rea escolhida pelo aluno. Se assim for, as escolas espontaneamente se bifurcaro segundo os quatro grandes troncos. Contudo, as instituies de nvel superior, mesmo as federais, tm todo o direito de determinar seus critrios de acesso. Em ltima anlise,  uma reforma fcil, conveniente e bem testada. S que no depende do ministro ou de secretrios, mas das universidades pblicas. So elas que mandam nos vestibulares. Mas, em se tratando de uma ideia que traz muitos avanos e poucos senes, ser que no poderamos contar com a ajuda dos reitores? Por outro lado, o MEC tem meios de persuadir as universidades a andar nessa direo.
CLAUDIO DE MOURA CASTRO  economista


5. MALSON DA NBREGA  A SADA  A INFRAESTRUTURA, MAS...
     Acumulam-se sinais de perda de dinamismo da economia. O crescimento da era Lula, de 4,1% em mdia, com o pico de 7,5% em 2010, no volta to cedo. Culpa-se a crise mundial, o que no tem cabimento. O ChiLe, a Colmbia e o Peru, no mesmo planeta e tambm exportadores de commodities, crescem duas a trs vezes mais rpido do que o Brasil. A diferena se explica pela produtividade, maior entre eles. O Brasil comea a pagar o preo da quase paralisia nas reformas estruturais.
     O crescimento decorre de trs causas: a expanso do investimento (capital), a incorporao de mo de obra e a produtividade. Essa ltima reflete a forma como as duas outras se combinam na produo de bens e servios. A produtividade  que tambm determina a competitividade  resulta do avano tecnolgico e da eficincia. No longo prazo, a produtividade  o principal motor. Antes da crise, ela explicava 80% do crescimento da economia americana.
	Poderamos crescer mais elevando o investimento, ora em 19% do PIB (49% do PIB na China e perto de 25% do PIB nos pases sul-americanos citados). Seria preciso ampliar muito a poupana domstica, o que  impossvel nos prximos anos. Recorrer  poupana externa, como j o fazemos, tem limites. Tampouco h sobra de trabalhadores. Resta elevar a produtividade.
     Vejamos as fontes da produtividade. Progresso tcnico leva tempo. Poderamos queimar etapas abrindo mais a economia, porm o governo caminha na direo oposta. Ampliar a produtividade da mo de obra requer dot-la de maior qualificao, mas isso depende da educao. Mesmo que ocorresse uma revoluo, melhorias na educao levam vinte ou mais anos para dar resultados. As empresas podem aumentar a eficincia, mas a carga tributria vai continuar confusa e custosa. O mesmo se dir da anacrnica legislao trabalhista.
     A nica alternativa no curto prazo seria direcionar investimentos para a infraestrutura, fundamental para melhorar a logstica de transportes. O Brasil investia mais de 5% do PIB no setor nos anos 1970. Hoje, mal chega a 2% do PIB. Da as estradas esburacadas, os aeroportos congestionados, a ineficincia nas ferrovias e a incrvel demora em atracar um navio nos portos importantes.
     Vrios estudos evidenciam a importncia decisiva da infraestrutura, por seu efeito na produtividade e nos nveis de bem-estar. Com transportes mais eficientes, por exemplo, o custo de produo e comercializao cai, os aeroportos funcionam, a segurana e o conforto das viagens aumentam, as estradas matam menos e as empresas no esperam meses para receber mercadorias nos portos. O pas cresce mais. No Brasil, a perda da capacidade de investir do setor pblico recomenda recorrer ao setor privado. Incrivelmente, isso no foi considerado na maior parte do governo Lula, embotado pela pueril ideologia antiprivatizao.
     Dilma percebeu a realidade, mas no se livrou totalmente da ideologia. Na privatizao dos aeroportos, manteve a Infraero como scia, uma lgica estatista sem sentido. Nas estradas, adota-se uma suposta esperteza poltica: provar que a privatizao petista  melhor para o povo do que a tucana. Por isso, Dilma aferra-se ao modelo de modicidade tarifria para definir a concesso de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Alm de mito, esse modelo exacerba comportamentos oportunistas. Termina saindo mais caro. A presidente poderia averiguar porque as dez melhores estradas do Brasil esto em So Paulo, todas privatizadas pelos tucanos.
     Com a retomada dos leiles, surgiram novos estudos sobre as vantagens da concesso de servios de infraestrutura. Um dos melhores, de Raul Velloso, Csar Mattos, Marcos Mendes e Paulo de Freitas (Infraestrutura: os caminhos para sair do buraco), mostrou as deficincias do modelo recentemente adotado e sugeriu mudanas para reduzir desperdcios e melhorar a eficincia dos respectivos investimentos.
     Dilma corre o risco de desperdiar parte de sua louvvel iniciativa. Para evitar que os ganhos de produtividade sejam inferiores,  preciso outro passo essencial: livrar-se de vez da ideologia. A presidente pode marcar o seu governo por uma guinada na infraestrutura. Depende apenas dela.
MALSON DA NBREGA  economista


6. LEITOR
REVELAES DE MARCOS VALRIO
Com a reportagem Chantagem no palcio (7 de novembro) ressurge o caso Celso Daniel, e a conexo com o mensalo  inevitvel. Marcos Valrio contava com uma retaguarda blindada como nunca se viu antes neste pas, mas que ruiu fazendo-o, em um momento de desespero, abrir as cartas. Diante das revelaes, cabe ao Ministrio Pblico investigar os fatos.
ANA LCIA AZEVEDO
So Paulo, SP

No est na hora de a Justia dar proteo  vida do senhor Marcos Valrio, para finalmente elucidarmos a morte de Celso Daniel? No se pode perder essa oportunidade de esclarecer o crime. Proteger a testemunha  vital.
MONICA DIAS GARCIA MURGEL 
So Paulo, SP

Marcos Valrio, demonstre que ainda lhe restam alguma dignidade e respeito ao menos com os seus familiares e conte tudo o que sabe. O Brasil precisa e agradece.
ALCEU LUIZ PEREIRA
Araatuba, SP

A sensao de Lula estar envolvido no mensalo se encaixa logicamente no enredo. O vilo estava na cena do crime o tempo todo. S no enxergou quem no quis.
THEREZINHA DE JESUS LIMA E OLIVEIRA
So Jos dos Campos, SP

Marcos Valrio, destampe o ralo e coloque o restante da sujeira para fora.
RENATO MENDES PRESTES
guas Claras, DF

Fale, Marcos Valrio.
MARIUZA BARBOSA NEIVA 
Conceio do Araguaia, PA

O PT na oposio se dizia defensor da democracia. Hoje torce o nariz para as instituies democrticas.
LUIZ AUGUSTO PAIVA DA MATA 
Joo Pessoa, PB

Seria impossvel o fundador do Partido dos Trabalhadores e seu presidente de honra no saber de tudo o que ocorreu na cpula do partido, seja em Santo Andr, seja em Braslia.
EDUARDO GOELDNER CAPELLA
Presidente da Comisso de Moralidade Pblica da OAB/SC
Florianpolis, SC

Na hora do sapeca i, i, Marcos Valrio resolve abrir o bico. Pois delate e comprove tudo, para que tambm v aos tribunais o grande chefe que diz que no sabia de nada. Demorou...
ANTNIO ARAJO DA SILVA
Belm, PA

BARTOLOM MITRE
Nas discusses sobre Pel versus Maradona, os brasileiros so imbatveis. Mas no campeonato de democracia plena h risco iminente de empate com a Argentina (Uma ditadura com eleies, Entrevista, 7 de novembro).
DOMINGOS SVIO PEREIRA 
So Paulo, SP

ELEIES 2012
A vitria de Fernando Haddad na capital paulista se deve principalmente ao rancor dos paulistanos com Jos Serra por ele ter abandonado a prefeitura anos atrs para concorrer  Presidncia da Repblica. Muitos paulistanos votaram pessimamente. Felizmente, brasileiros de outros estados enxergam o que est acontecendo no pas  e ignoram o PT (Hegemonia no!, 7 de novembro).
FBIO BERGAMASCHI SESSA
Vitria, ES

J.R GUZZO
O artigo O resto  o resto (7 de novembro) contm lucidez e coerncia juntas.
NAZARENO DAMIO DA SILVA
Natal, RN

Ao eleger So Paulo como joia da coroa, Lula banaliza a escolha dos eleitores dos outros estados que votaram nos candidatos do PT. Para dar continuidade ao seu projeto de poder  pessoal e poltico , Lula no mede esforos. Para os jovens  um pssimo exemplo. Para os velhos  uma decepo.
ORLANDO DEZONTINI
So Paulo, SP

CRIMINALIDADE EM SO PAULO 
Em agosto de 2011, comeou uma verdadeira batalha na Assembleia Legislativa de So Paulo unindo o PTB e o PT na tentativa de armar um compl contra o governo paulista (PSDB), o que afetaria o bom funcionamento da polcia e traria a insegurana para a populao. Era ano pr-eleitoral e, para ganhar a eleio, valia tudo, at arriscar vidas inocentes. Esses dois partidos tentavam aprovar um projeto de lei que esvaziaria os poderes da Corregedoria da Polcia Civil, alicerce da poltica de segurana pblica de So Paulo e principal responsvel pelo expurgo de maus policiais. O projeto de lei do deputado Campos Machado (PTB) queria retirar do secretrio Antnio Ferreira Pinto o poder de proteger o trabalho da corregedoria e devolveria o rgo para a estrutura hierrquica da Polcia Civil. Era to desprezvel o propsito de tal projeto de lei que ele foi arquivado. Mas... se no foi por bem, vai por mal mesmo. Agora o foco so as eleies de 2014 e a conquista do estado de So Paulo. Ns, paulistas, nunca nos esqueceremos da sincronia das aes do PCC naquele fatdico Dia das Mes. De alguma forma pressinto que h vasos comunicantes entre certa militncia poltica e a marginalidade... Essa barbrie que o PCC vem cometendo contra cidados comuns e contra policiais tem o nico propsito de desestabilizar, desacreditar e desconstruir o governo paulista (Por que comeou e onde vai parar, 7 de novembro).
MARA MONTEZUMA ASSAF
So Paulo, SP

A segurana pblica  um assunto extenso e complexo. Se algum quer de fato fazer algo, sugiro: 1) mudanas constitucionais  unificao da polcia, com um corpo uniformizado e um corpo  paisana, o primeiro visando  preveno, o segundo  investigao (polcia judiciria), e um terceiro  polcia cientfica, agindo em todos os crimes de forma eficiente, no s naqueles que tenham repercutido. Fim do inqurito policial, fim da carreira de delegado de polcia (a polcia seria dirigida por agentes de carreira). Os atuais delegados seriam, a critrio de cada um, convertidos em promotores criminais, que, recebendo as informaes da unidade policial, ofereceriam ou no denncia contra os acusados; 2) mudana no Cdigo de Processo Penal  adequando a situao acima, diminuindo os recursos possveis e acelerando os processos sem que houvesse perda do direito de defesa; 3) com as mudanas na estrutura da polcia, fim do Corpo de Bombeiros da Policia Militar  visto que isso  atividade de Defesa Civil, e no de segurana , abrindo assim vagas na polcia para o aumento do efetivo policial; 4) mudana na Lei de Execuo Penal  permitindo a progresso da pena no caso de recluso somente aps o cumprimento de, no mnimo, metade da condenao; fim das saidinhas (Dia dos Pais, Natal, Dia das Mes e outras datas), fim do tempo mximo de cumprimento de pena (hoje trinta anos). O marginal tem de saber que ficar preso. O marginal no pode achar que venceu.  extremamente importante que as vitrias da polcia, com a priso de criminosos, sejam amplamente divulgadas. Esse  o pensamento de um policial aposentado que apresenta suas sugestes.
JOS RENATO NASCIMENTO
So Paulo, SP

A violncia generalizada e a organizao criminosa na maior cidade do Brasil ganharam corpo pela fragilidade das duas corporaes: Polcia Militar e Policia Civil. Ressalte-se que isso no  culpa dos servidores, mas a origem est no descaso do estado. A reportagem nada disse a respeito da diminuio dos efetivos da PM e da Polcia Civil. Temos, hoje, menos policiais do que tnhamos nas dcadas passadas. Como medida paliativa, o governo estadual fechou seccionais, distritos policiais. ICs e IMLs. Delegados, escrives, investigadores e peritos precisam acumular funes em diversas cidades. Funcionrios nada recebem por esse acmulo. Esporadicamente, quando se abre concurso, este dificilmente ultrapassa 400 vagas. Esse total representa aproximadamente 0,5 policial por cidade do estado. H outro fato: os que desistem no caminho. Quando isso ocorre, e no so poucos os casos, a vaga fica em aberto, em vez de chamarem os remanescentes. Acredita-se que metade dos aprovados acaba desistindo da funo pblica. Nas delegacias e nos distritos policiais, encontramos mais funcionrios da prefeitura que do estado. Estes, embora faam servios burocrticos a contento, no tm poder de polcia, portanto no investigam nem prendem criminosos. A Polcia Civil  a mais prejudicada em termos de encolhimento de efetivo. Sem uma polcia investigativa, no h como falar em punio de culpados. Com isso, a bandidagem ganha corpo. Na polcia do estado de So Paulo, diferentemente do que se v em outros estados, o cargo de investigador e o de escrivo, que requerem nvel superior, tm remunerao menor que outros que exigem nvel mdio. Tudo isso dentro da Polcia Civil! O estado mais rico da federao paga mal seus policiais. Falta de motivao tambm se reflete na perda de qualidade.
M. ANTNIO DA SILVA
Tatu, SP

MACONHA
A reportagem de capa da edio 2293 (31 de outubro), sobre o uso e abuso da maconha, polariza a discusso. Ao demonizar a droga, reafirma a poltica de preveno equivocada que afasta os jovens do dilogo.  importante retardar a idade inicial do uso das drogas e evitar danos que o consumo precoce pode causar. Para diminuir o consumo, no entanto,  preciso ser pragmtico e encarar o fato de que a maconha hoje  amplamente acessvel aos adolescentes: sem regras de idade, sem controle de qualidade e vendida por pessoas que tm interesse em conquistar clientes para drogas mais pesadas. Pesquisas da Organizao Mundial de Sade demonstram que  o traficante, e no a maconha, a porta de entrada para outras drogas. A regulao  uma alternativa mais adequada para controlar o uso de drogas por adolescentes do que a proibio nos moldes atuais. As polticas atuais de criminalizao do consumo j provaram sua incapacidade de atingir o objetivo maior de reduzir os danos causados pelas drogas aos indivduos e  sociedade. O modelo de regulao do tabaco oferece caminhos para pensarmos na regulao da maconha.  tempo de olhar as alternativas e tentar sadas mais eficazes e humanas que as polticas atuais.
ILONA SZAB DE CARVALHO
Rio de Janeiro, RJ

A CAPA DA MACONHA VIROU MEME
A capa da edio 2293 de VEJA (31 de outubro) mostrou, lastreada em pesquisas mdicas recentes, que o consumo de maconha faz mal e suas sequelas cerebrais podem ser duradouras em muitos usurios. A capa no deixou ningum indiferente. Nas redes sociais, ela se tornou um meme, com verses que mantiveram a reportagem em destaque. Fica claro nas verses reproduzidas ao lado que os criadores dos memes no concordam com os cientistas ouvidos por VEJA para fazer a reportagem. Para eles, rir  o melhor remdio.

CINCIA SEM FRONTEIRAS 
Espetacular a reportagem O mundo  nosso! (7 de novembro). Se as universidades brasileiras pretendem realmente participar da elite cientfica internacional, tm de romper de forma radical com essa barreira em relao ao mercado, talhando esses novos talentos para a inovao tecnolgica. Pases tecnologicamente desenvolvidos passaram por esse processo, e estamos dando os primeiros passos nessa direo. Parabns a VEJA. A cincia agradece.
ROBERTO GERMANO COSTA
Professor da Universidade Federal da Paraba 
Cmpus de Bananeiras, PB

Fiz questo de indicar a excelente reportagem especial de VEJA a minha filha de 14 anos e a encorajei a pensar em estudar em universidades estrangeiras num futuro prximo, como esto fazendo os estudantes do programa Cincia sem Fronteiras. O futuro chega rpido. Temos de orientar nossos filhos para o melhor. O Brasil precisa deles.
LEONARDO DOWSLEY 
Recife, PE

Fiquei emocionada e orgulhosa ao ver a foto de meu neto, Daniel Rossi Korol, em um grupo de estudantes brasileiros em Munique, na Alemanha. Estudante de engenharia da mobilidade, Daniel foi, por mrito, contemplado com uma bolsa do programa Cincia sem Fronteiras e hoje estuda na Universidade Tecnolgica de Munique.
ROSILDA BRAZIELLAS DIAS KOROL
Jundia, SP

Louvvel o programa Cincia sem Fronteiras. No entanto,  necessrio que o Brasil crie condies para que esses estudantes, na volta, possam produzir inovao. A universidade tem de adotar o princpio da meritocracia e o governo, aderir ao princpio da eficincia.  preciso que haja menos burocracia na aprovao e execuo dos projetos de pesquisa.  interessante a afirmao do pesquisador coreano de que a internacionalizao  obrigatria. No Brasil, no campo das pesquisas clnicas com medicamentos, a cooperao estrangeira  vista com desconfiana. Projetos que visem a desenvolver novos medicamentos podem demorar mais de um ano para ser aprovados, enquanto nos pases desenvolvidos a aprovao  feita em poucos meses.
JOO MASSUD FILHO
Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Farmacutica
So Paulo, SP

Esse programa  bom para a entusiasmada turma de jovens bolsistas. E os que aqui esto? A histria dos mestrandos e doutorandos que tentam contribuir com suas habilidades no Brasil  muito difcil. So meses estudando e escrevendo um projeto at que seja aprovado. Lutas com orientadores, dificuldades de uso de laboratrios e tantos outros obstculos. Tudo isso sem ganhar nada. A bolsa s vem depois de o projeto ter sido aprovado. E como vive o aluno durante esse perodo? Como trabalhar em atividade formal (Oito horas dirias, de segunda a sexta)? Quando estudar? Ler artigos em lngua estrangeira? Pesquisar? Far experimentos em laboratrio? No Brasil, quem no tem recursos  obrigado a optar entre trabalhar e estudar. Quem consegue passar por todo esse calvrio pode ter chance de estudar no exterior, caso consiga se manter. As bolsas de estudo para mestrandos e doutorandos no lhes garantem o sustento. Esses, sim, so os verdadeiros heris.
REGINA MARTNEZ 
So Paulo, SP

ESCLEROSE MLTIPLA 
Pesquisas inovadoras com as prteses metlicas contra a esclerose mltipla (Na jugular, 7 de novembro) servem como estmulo para buscarmos mtodos diagnsticos e teraputicos para melhorar a qualidade de vida das pessoas que sofrem com esse transtorno.
MARDEN RODRIGUES SPNDOLA
Angiologista e cirurgio vascular 
Macei, AL

Essa terrvel doena precisa ser vencida. Fico na torcida para que os estudos desenvolvidos com base na terapia criada pelo cirurgio vascular italiano Paolo Zamboni deem certo.
ELISA CRISTINA MORENO MENDES
Rio de Janeiro, RJ

AUTOSSUFICINCIA DE PETRLEO 
A reportagem O enrosco do subsdio (7 de novembro)  a prova de que governos populistas cavam a prpria sepultura. Em busca do voto das classes mais numerosas, a demagogia das mltiplas formas de transferncia de renda, entre as quais o subsdio ao preo dos combustveis, destri qualquer base slida da economia sustentvel.
GILBERTO DIB
So Paulo, SP

Sair do enrosco do subsdio com certeza gerar inflao. Sabemos tambm que nossa carga tributria  descomunal. Ento, por que no comear a resolver esses problemas desonerando em parte os combustveis? Com isso, no haveria elevao do preo na bomba, a Petrobras aumentaria seu caixa, a inflao no recrudesceria e a carga tributria comearia a dar sinal de queda. Simples.
ROBERTO BRIAND CAVALCANTI
Fortaleza, CE

O governo poderia autorizar o repasse do custo ao preo do combustvel e ainda mant-lo inalterado para o consumidor diminuindo a carga tributria (que, alis,  extremamente alta, de 55%). Basta lembrar que, nas poucas vezes em que os postos venderam gasolina sem os impostos, o valor ficou pela metade. O governo tem de reduzir os impostos sobre a gasolina.
ATSUSHI SHUNO 
So Paulo, SP

Algumas dcadas atrs, tal poltica de controle de inflao aplicada a tarifas de energia eltrica quase levou ao desmantelamento do setor e contribuiu substancialmente para o famoso apago do incio deste sculo.
JERZY LEPECKI 
Rio de Janeiro, RJ

NDIOS GUARANIS-CAIOVS 
Mato Grosso do Sul  um grande celeiro produtivo. Mas, infelizmente, a rea que

os indgenas possuem no produz o suficiente nem para eles mesmos. Os ndios no querem terra, e sim respeito, principalmente, dos seus tutores Funai e Cimi  que so os grandes algozes dessa confuso toda (A iluso de um paraso, 7 de novembro). O Brasil precisa abrir os olhos agora, pr um freio na boca da Funai, um cabresto no Cimi e fechar as porteiras para ONGs estrangeiras que tm interesse em travar a grande produo agrcola do Brasil. Doa a quem doer, sem demagogia, a verdade  essa.
THIAGO CAMINHA
Maracaju, MS

Sou testemunha ocular do que aconteceu com a desapropriao efetuada no Panambizinho. em 2004. Com a simples demarcao, sem uma poltica que crie uma base de subsistncia para esses ndios, o problema tende a piorar. Daqui a pouco estaremos vivendo espremidos entre uma imensa aldeia indgena, enquanto imperam a fome, a misria, o alcoolismo e o suicdio nas reservas.
MICHELLE VISCARDI SANTANA
Dourados, MS

CARECAS
Interessante a reportagem Todo o poder aos carecas (7 de novembro). Como cirurgio plstico e especialista em restaurao capilar, lembro que o visual totalmente careca no se presta para todo tipo de cabea e que as mulheres calvas no aceitam facilmente essa opo.
FERNANDO BASTO
Presidente da Associao Brasileira de Cirurgia da Restaurao Capilar
Recife, PE

Correes: na pgina 117 desta edio, no fim do ultimo pargrafo, a frase correta : No pode casar com uma menor de idade sem autorizao dos pai dela, e se fizer sexo com uma menor de 14 anos estar cometendo um crime.
O hormnio eritropoetina  produzido e liberado pelas clulas renais, e no pelas glndulas suprarrenais (A engrenagem da farsa, 31 de outubro).

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o numero da cdula de identidade e o telefone do autor, Enviar para: Diretor de Redao, VEJA  Caixa Postal 11079  CEP 05422-970  So Paulo  SP; Fax (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at a quarta-feira de cada semana.


7. BLOGOSFERA
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

RADAR
LAURO JARDIM
REAL
A Ancine aprovou captao de recursos para que a BossaNovaFilms produza Plano Real  18 Anos  A Maioridade de um Pas. O documentrio, que comemora a maioridade do plano que estabilizou a economia brasileira, custar 1,1 milho de reais. www.veja.com/radar 

CHEGADA 
RENATO DUTRA
TREINOS
Estudo divulgado na revista Medicine & Scienzce in Sports & Exercise mostrou que fazer um treino (leve) aerbico antes da musculao no prejudica o ganho de massa muscular. www.veja.com/chegada

NOVA TEMPORADA 
FERNANDA FURQUIM
SRIES DE TV
A Austrlia  a nova fonte de referncia para novas sries americanas. Produtores de A Moody Christmas esto sendo assediados por canais dos EUA com o objetivo de adaptar a srie para o mercado americano. www.veja.com/temporada

COLUNA 
REINALDO AZEVEDO
DEMOCRACIA
A democracia no tem o monoplio das boas intenes e das boas realizaes. No se  um democrata convicto apenas por pragmatismo. O valor exclusivo da democracia, meus caros,  a liberdade. www.veja.com/reinaldoazevedo

CONVERSA EM REDE
OBAMA E O BRASIL
A reeleio de Barack Obama ocorreu a despeito do delicado momento vivido pela economia americana, que at agora mostra apenas uma discreta melhora e ainda mantm um nvel de desemprego alto. VEJA.com perguntou o que significa a reeleio de Obama para o Brasil. Abaixo, algumas respostas:
Manuteno do equilbrio comercial e mais fora para o Brasil na poltica externa com os EUA como aliados. - Thyago Travassos.
A forte possibilidade de um avano nas relaes multilaterais pelo uso do dilogo. - Claudio Pavo 
www.veja.com/conversaemrede

SRGIO RODRIGUES
PALAVRAS, ESSAS FINGIDAS
A palavra degringolar parece ter a ver com gringo, mas no tem. A palavra coitado, muita gente repete por a, vem de coito. No vem. So as palavras que mentem, que enganam, ou somos ns que adoramos contar  e acreditar em  mentiras sobre elas? Nelson Rodrigues disse que uma simples frase nos falsifica ao infinito, frase que, apropriadamente, carrega um miolo de verdade no meio de grossas camadas daquele exagero saboroso que ele adorava cultivar  e que no passa de mentira.
www.veja.com/sobrepalavras

ESPELHO MEU
POR QUE OS CABELOS CAEM?
M alimentao causa queda de cabelo? Sim. Para que os fios sejam saudveis, a dieta deve ser balanceada, com fontes de ferro, protenas, vitaminas e gorduras insaturadas. E cortar o cabelo fortalece os tios? No, infelizmente. O corte no interfere no folculo, estrutura responsvel pela produo e crescimento do fio. Nem a lua cheia, desculpe contradizer esse mito to simptico. No blog, saiba outras situaes que ameaam os cabelos e evite-as.
www.veja.com/espelhomeu

 Esta pgina  editada a partir dos textos publicados por blogueiros e colunistas de VEJA.com


8. EINSTEIN DADE  PACIENTES IDOSOS, CUIDADOS ESPECIAIS
Atendimento exige prticas diferenciadas, vigilncia redobrada e tratamento individualizado.

     Embora representem apenas cerca de 10% da populao brasileira, as pessoas com mais de 60 anos respondem por 30% a 40% das internaes hospitalares. Doenas surgem ou se agravam com a idade e se no forem adequadamente controladas podem resultar em sequelas, como no caso de um infarto ou um acidente vascular cerebral, acarretando srias limitaes para esses indivduos.  um contexto que desafia as instituies e os profissionais de sade, pois o processo de envelhecimento se d de forma diversa em cada indivduo e essas especificidades tm um grande impacto sobre os cuidados que devem ser tomados com o paciente idoso.
     Assim, a regra nmero 1  identificar o perfil do idoso que ser tratado, pois, mais que em outros grupos de pacientes, o tratamento individualizado  fundamental. Nessa faixa etria muda at o conceito de estar doente. Quem tem doenas crnicas, como presso alta e diabetes, dentre outras, mas convive com elas sob controle, sem sequelas ou limitaes funcionais,  considerado saudvel. O idoso  considerado doente quando perde sua funcionalidade.
Evidentemente, o grande contingente dos que precisam de atendimento hospitalar so os idosos mais fragilizados, com maior comprometimento das capacidades. E isso requer cuidados especiais das instituies  das instalaes fsicas ao preparo das equipes mdica e assistencial. Idosos debilitados devem ser avaliados de maneira mais especfica com o uso de escalas para estabelecer com maior exatido o grau de vulnerabilidade e riscos de piora funcional, complicaes ou morte. Tambm so fundamentais procedimentos rigorosos para evitar riscos como quedas e interaes medicamentosas.
     Outro aspecto relevante  o plano de reabilitao, que deve prevenir um fato muito comum: idosos que so internados por um problema clnico especfico, mas tem desdobramentos funcionais que prolongam sua permanncia no hospital, com risco de complicaes como infeces hospitalares, por exemplo.
     Em sntese,  ampla a gama de cuidados que o paciente idoso requer. E num pas como o Brasil, em que as taxas de expectativa de vida so crescentes, os sistemas, instituies e profissionais de sade precisam estar preparados para lidar com essa nova e desafiadora realidade. Em outra ponta, vale insistir numa recomendao sempre valiosa: j que o envelhecimento  inevitvel, melhor investir desde jovem em hbitos saudveis e tratar as doenas crnicas logo aos primeiros sinais, que costumam aparecer na faixa dos 40 anos, ou seja, bem antes de o indivduo ser considerado um idoso.

Saiba mais sobre este e outros assuntos no site www.einstein.br
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Sua sade  o centro de tudo.
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Responsvel Tcnico:
Dr. Miguel Cendoroglo Neto - CRM: 48949


